13 dezembro 2010

Marilia

Novembro de 1994.
Com 17 anos e o casamento marcado para dali apenas 3 semanas, Marilia sentia uma grande opressao.
Se sentira muito pressionada a aceitar o pedido de casamento apos ter feito amor com o namorado.
Ainda, em pequenas cidades como a que ela vivia, uma moça que perdesse a virgindade era vista com maus olhos, e as velhas fofoqueiras adorariam mais um motivo para estarem tagarelando sentada nas portas aos finais de tarde.
As amigas, com certeza, seriam impedidas de andar com ela, pois passaria a ser um mal exemplo.
E os rapazes... Nao a deixariam em paz, com cantadas baratas e falsas declaraçoes de amor, apenas pelo simples prazer de um corpo jovem e quente que eles nao precisassem pagar.
Nao deveria ter contado para a irmã mais velha. Mais velha e menos atrante, e por isso muito invejosa da sua popularidade. Tinha que estar suportando agora chantagens e mais chantagens para que ela nao falasse nada aos pais.
Por isso, entao, Marilia resolveu se noivar.
Daria um cala a boca nos vizinhos, amigos e fofoqueiros em geral.
Mas...agora tao proximo o dia do casamento, ela sentia que a vida iria se escorrendo pelos dedos.
Nao teria mais liberdade, logo se encheria de bebes gordos e choroes, alem de ter que abandonar os estudos.
Resolveu entao fugir de casa. Iria pra bem longe, talvez a capital. Sim, diziam que la todos tinham oportunidade.
No sabado a tarde, com a desculpa de juntar dinheiro para comprar o enxoval Marilia foi ate a feira, com o carrinho de galinhas, e conseguiu, com preço de banana, vender todas as galinhas em poucas horas.
Iria esperar ate a proxima semana, quando os pais fossem pra roça da Avó, para a grande fuga.
Nesta noite, perdeu o sono, e muito indisposta e sentindo se mal passou o domingo quase todo na cama. Nem na missa quis ir, seu passeio predileto, pois sempre paravam pra um sorvete na praça.
E os dias foram se arrastando lentamente. O namorado, rapaz simples e humilde, nao conseguia entender o que acontecia com Marilia. Sempre fora alegre e fogosa, agora nao aceitava que ele se aproximasse nem pra um beijo, e outras carinhos entao. Era capaz ate de apanhar da noiva nervosa.
Na sexta-feira, quando os pais se aprontavam pra sair, ela ja estava acordada. Havia ajuntado as roupas poucas e o dinheiro em um sacola e escondido debaixo da cama.
A irma, ainda bem, nao desconfiava de nada. Mas tambem ela tinha comprado para a moça um estojo de maquiagem que ela sempre sonhara para si.
Assim que os pais atrelaram o cavalo e sairam a trote largo, Marilia se levantou, lavou o rosto na agua fria do tonel, tomou um gole de café fraco e doce. O estomago revirou, mas ela nao se importou. Talvez fosse por causa do nervosismo.
Calçou o tenis, e rapidamente se colocou a caminho da rodovia.
Planejava encontrar um bom e solidario caminhoeiro que a levasse rapidamente dali.
E encontrou. Nao apenas um, mas alguns que para transporta-la cobravam a passagem.
Passagem que ela, no primeiro instante sentiu nojo e repugnancia ao pagar, mas que depois ate que nao era tao ruim assim.
Viagem longa, cansativa. Marilia finalmente alcançou, apos 2 meses chegar na capital. A barriga, antes reta agora ja mostrava a saliencia do bebezinho que havia trazido consigo. Marilia, 14 anos, um bebe na barriga, muitos sonhos na cabeça, sem dinheiro no bolso.

2 comentários:

Paula Baiadori disse...

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Thales Bruno. disse...

Qualquer palavra que eu possa escrever aqui é feia perto da beleza das suas palavras.

Je t'aime.

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