01 janeiro 2014

De Volta

Sempre voltamos ao lar. Ou procuramos voltar.
O que chamo de lar pode ser os velhos amigos, locais que gostávamos de estar antes, o próprio interior.
Voltei ao meu lar.
Meu lar é escrever, tentar expor um pouco do que já vivi, sofri, sorri, chorei..mas o importante é que eu voltei.
Passei algum tempo longe, fui reviver uma maravilhosa experiência: um grande amor.
Escolhi um amor totalmente diferente de mim, por isso, naqueles meses, escrever não se encaixa na minha vida.
Sou assim, muito extrema. Amo demais, sofro mais ainda.
Fui muito feliz nestes meses. Até mais feliz que em todos os meus 43 anos vividos (as vezes mal, as vezes bom).
Era um amor perfeito, assim eu via. Mas até o amor perfeito tem tempo de duração.
Agora já estou curada, menos dolorida, menos machucada. 
Agora estou feliz por conseguir ver que o final, afinal, teria que acontecer em algum momento, e sei me deliciar com os momentos maravilhosos que tivemos...De volta...e um brinde a experiencia e a felicidade que tive o prazer de compartilhar ao lado do meu grande amor..CHEERS!!!

05 janeiro 2011

Coisas da Infancia

Ontem, ao me deitar, veio em minha memoria a fazenda de meus tios onde passavamos as ferias entre infancia e adolescencia. Sao doces lembranças, quando correr de pe no chao, chupar mangas e jabuticabas, tomar banho no riacho, ficar deitado durante horas contemplando as nuves era o que mais nos importava.
A sede da fazenda fica ha mais ou menos 1 km de distancia da estrada, e quando desciamos no onibus, com as malas e sacolas, embalavamos nossa alegria e correndo e gritando de alegria corriamos para a casa. La esperavam nos os primos moradores e muitas vezes outros visitantes como nos mesmos (nao compreendo hoje como minha tia podia ser tao paciente, para alem dos proprios filhos ainda receber 10 ou 12 crianças em sua casa).
A casa, grande, com comodos arejados e amplos é cercada por cercas de madeira. Quando no inicio da adolescencia ja nao subiamos tanto nas arvores, eu e minhas primas costumavamos ficar por horas sentadas ali, vendo os rapazes movimentarem o gado no curral.

18 dezembro 2010

E a educação....ou a falta dela.

Bom... é realmente complicado saber até onde podemos compreender a falta de educação e a falta de delicadeza. Um fato extremamente desagradável aconteceu hoje a tarde e me coloca sempre a pensar sobre como as pessoas não tem o mínimo trato para tratar com os outros seres humanos, que no fundo são todos iguais.
Após o trabalho passei em um pequeno mercado que temos aqui no bairro. Estava pensando em preparar um delicioso jantarzinho neste sábado com clima gostoso e tranquilo.
Então, continuando, ao chegar ao mercadinho percebi que estava já um pouco lotado. E da porta vislumbrei a Vera. Sempre fora uma mulher bonita. Aliás muito bonita. Ela tinha aquela altivez, aquela beleza cativante, alem de ser muito simpática e educada. Conheço-a, mais ou menos, uns 20 anos. Nunca tivemos grande intimidade, pois somente a mãe dela morava aqui, mas costumamos trocar algumas conversas. cerca de três anos ela se mudou para morar com a mãe. Sabemos alguns boatos, é claro. Que ela fora abandonada pelo marido, com um forte golpe financeiro e que agora estava trabalhando e ganhando muito pouco. Antes ela andava em carros novos, bem vestida, maquilada. Onde passava deixava o rastro do perfume. Porem com todo o sofrimento que passou, ela se havia adquirido muitos quilos a mais, não se veste tao bem, tem olhos tristes.
Quanto entrei percebi, ao canto um casal que conhecia bem. Os cumprimentei, falei com alguns outros conhecidos. E, ali, na espera da fila do açougue, entao aconteceu a cena desagradável. Uma das mulheres, com aquele desdém, a olha bem nos olhos e diz: Poxa, Vera, como você esta gorda e velha, hem..O que você fez.
Pense no constrangimento geral. As pessoas não sabiam o que comentar ou onde enfiar a cabeça. O marido da Dona Linguaruda, correu no socorro.
Mas não precisava dizer nada.
Porque Vera também não disse nada. Se limitou a balançar a cabeça em concordancia e dar um sorriso amarelo. Quando olhou em minha direçao senti a dor e a vergonha estampada nos olhos opacos.

14 dezembro 2010

Deus e eu no Sertao.

Nunca fui uma grande fã de musica sertaneja.
Claro que morando onde moro o que mais se esperaria era que eu simplismente adorasse.
Mas ainda prefiro um rock calmo, MPB.
Mas tem algumas musicas que simplismente me conquistam a alma.
Tenho varias preferidas.
Outro dia tava assistindo um programa regional que temos aqui em nosso estado e uma cantora da nossa terrinha vermelha e quente estava interpretando esta musica da dupla Victor e Leo.
A letra é tao agradavel, tao boa de ouvir. Foi como me transportar para o mundo que ela descreve.
Eu rapidamente baixei e agora volta e meia estou cá a ouvi-la e sonhar com este mundo que eles criaram com a paz, a tranquilidade o Amor retratada nestes versos.
Entao..esta é a minha homenagem...e desejo a todos neste proximo ano pelo menos um dia destes que eles cantam...

Deus E Eu No Sertão

Victor e Leo

Composição: Victor Chaves

Nunca vi ninguém
Viver tão feliz
Como eu no sertão

Perto de uma mata
E de um ribeirão
Deus e eu no sertão

Casa simplesinha
Rede pra dormir
De noite um show no céu
Deito pra assistir

Deus e eu no sertão

Das horas não sei
Mas vejo o clarão
Lá vou eu cuidar do chão

Trabalho cantando
A terra é a inspiração
Deus e eu no sertão

Não há solidão
Tem festa lá na vila
Depois da missa vou
Ver minha menina

De volta pra casa
Queima a lenha no fogão
E junto ao som da mata
Vou eu e um violão

Deus e eu no sertão

13 dezembro 2010

Marilia

Novembro de 1994.
Com 17 anos e o casamento marcado para dali apenas 3 semanas, Marilia sentia uma grande opressao.
Se sentira muito pressionada a aceitar o pedido de casamento apos ter feito amor com o namorado.
Ainda, em pequenas cidades como a que ela vivia, uma moça que perdesse a virgindade era vista com maus olhos, e as velhas fofoqueiras adorariam mais um motivo para estarem tagarelando sentada nas portas aos finais de tarde.
As amigas, com certeza, seriam impedidas de andar com ela, pois passaria a ser um mal exemplo.
E os rapazes... Nao a deixariam em paz, com cantadas baratas e falsas declaraçoes de amor, apenas pelo simples prazer de um corpo jovem e quente que eles nao precisassem pagar.
Nao deveria ter contado para a irmã mais velha. Mais velha e menos atrante, e por isso muito invejosa da sua popularidade. Tinha que estar suportando agora chantagens e mais chantagens para que ela nao falasse nada aos pais.
Por isso, entao, Marilia resolveu se noivar.
Daria um cala a boca nos vizinhos, amigos e fofoqueiros em geral.
Mas...agora tao proximo o dia do casamento, ela sentia que a vida iria se escorrendo pelos dedos.
Nao teria mais liberdade, logo se encheria de bebes gordos e choroes, alem de ter que abandonar os estudos.
Resolveu entao fugir de casa. Iria pra bem longe, talvez a capital. Sim, diziam que la todos tinham oportunidade.
No sabado a tarde, com a desculpa de juntar dinheiro para comprar o enxoval Marilia foi ate a feira, com o carrinho de galinhas, e conseguiu, com preço de banana, vender todas as galinhas em poucas horas.
Iria esperar ate a proxima semana, quando os pais fossem pra roça da Avó, para a grande fuga.
Nesta noite, perdeu o sono, e muito indisposta e sentindo se mal passou o domingo quase todo na cama. Nem na missa quis ir, seu passeio predileto, pois sempre paravam pra um sorvete na praça.
E os dias foram se arrastando lentamente. O namorado, rapaz simples e humilde, nao conseguia entender o que acontecia com Marilia. Sempre fora alegre e fogosa, agora nao aceitava que ele se aproximasse nem pra um beijo, e outras carinhos entao. Era capaz ate de apanhar da noiva nervosa.
Na sexta-feira, quando os pais se aprontavam pra sair, ela ja estava acordada. Havia ajuntado as roupas poucas e o dinheiro em um sacola e escondido debaixo da cama.
A irma, ainda bem, nao desconfiava de nada. Mas tambem ela tinha comprado para a moça um estojo de maquiagem que ela sempre sonhara para si.
Assim que os pais atrelaram o cavalo e sairam a trote largo, Marilia se levantou, lavou o rosto na agua fria do tonel, tomou um gole de café fraco e doce. O estomago revirou, mas ela nao se importou. Talvez fosse por causa do nervosismo.
Calçou o tenis, e rapidamente se colocou a caminho da rodovia.
Planejava encontrar um bom e solidario caminhoeiro que a levasse rapidamente dali.
E encontrou. Nao apenas um, mas alguns que para transporta-la cobravam a passagem.
Passagem que ela, no primeiro instante sentiu nojo e repugnancia ao pagar, mas que depois ate que nao era tao ruim assim.
Viagem longa, cansativa. Marilia finalmente alcançou, apos 2 meses chegar na capital. A barriga, antes reta agora ja mostrava a saliencia do bebezinho que havia trazido consigo. Marilia, 14 anos, um bebe na barriga, muitos sonhos na cabeça, sem dinheiro no bolso.

06 dezembro 2010

De boa

De nada adianta ficar criando onda, remoendo briguinhas, sugerindo emburramentos.
Eu quero mesmo é ter voce aqui do meu lado, sorrindo, fazendo graça, se divertindo comigo.
Pode ficar calado tambem. sem fazer ou falar nada.
So ficar. Mas nao vale fechar a cara.
Porque nao tem valor pra mim. Nao adianta que quanto mais voce se tenta impor, nao vai conseguir me fazer aceitar so as suas vontades.
Assim como tambem nao forço a barra com voce, nao quero fazer o que nao gosto, o que nao me agrada.
Deixe a vida nos levar nesta calmaria, na tranquilidade, como em uma viagem de baseado. Na boa. HAHAHAHAHAHA...
Vem pra ca, perto de mim...

23 outubro 2010

Ouço Orinoco Flows ao fundo.
Remexo me na cama.
Abro os olhos lentamente e por alguns segundos nao reconheço o ambiente.
O cheiro de cafe inunda o ambiente.
Voce vem entao, caminhando lentamente, olha devagarinho e me pega acordada.
Recebo um beijo de bom dia, o cafe na cama.
Oh, quanto amor sinto por voce.
E quanto amor vc sente por mim.
Os poucos segundos separados nos fazem querer estar mais juntos.
Nossos corpos se unem. O meu calor invade o seu. Nos entregamos a paixao
que nos sufoca.
Por alguns instantes o mundo para, na explosao do nosso amor....

22 outubro 2010

Ahhh..quao longe voce esta.
Somente em meus sonhos consigo te ver.
E, mesmo assim, nao consigo lhe tocar.
Chora minha alma, meus olhos...
Chora todo o meu corpo, na longa
espera.
Quao longe voce esta.
Apenas dentro de mim posso sentir-lo.
Noites e noites sem voce.
Corpo frio, sozinho.
Meus olhos procuram mas nao conseguem te ver.
Fecho-os entao, e a sua doce lembrança enche o meu ser.

16 outubro 2010

Sonhei esta noite com meu amor. Meu amor perfeito. Tao perfeito que ele so vem me visitar em meus sonhos. Posso sentir o seu abraço carinhoso, o calor de seu corpo no meu.
A felicidade invade tanto minha alma, que quando acordo fico louca pra voltar a dormir e reencontra-lo.

08 outubro 2010

baratas...

Definitivamente meu bairro é merecedor de um livro.
Acontecem casos inexplicaveis por aqui.
Hoje por exemplo vamos batiza-lo do dia das baratas.
Como ja sabem, moro em um bairro totalmente carente.
Nao de pessoas carentes. Carente de recursos. Nao temos esgoto nem bocas de lobo para o escoamento.
Hoje a prefeitura nos fez um grande favor, enviando alguns homens para detetizar os lotes vagos.
Porque a populaçao por aqui nao se esforça para manter os lotes baldios limpos, ou ate mesmo os proprios quintais.
Pensa so a confusao. Eles chegam, pedem para as pessoas sairem e aguardarem 20 minutos ate voltarem. O problema é que quando jogam o veneno as baratas ficam loucas. Invadem as ruas, correndo de um lado pro outro. A rua ja esta lotada de criança, velho e maes descabeladas.
Entao é barata pra la, gente gritando pra ca.
Passei, em meio a muito asco, rindo e espantando as loucas com a vassoura do meu pequeno comercio.
Dia para ser bem relembrado.

04 outubro 2010

Chegou....

E entao a chuva chegou.
Nao de repente, pra matar a vontade louca do meu povo.
Ela se anunciou... Primeiro, no meio da tarde, o sol escaldante, foi aos poucos escurecendo.
O vento, anunciador, cantava, balançando as folhas e os santinhos de politica jogados no chao.
Um cheiro de terra molhada invadiu o ar, prometendo a nos, pobre mortais sedentos uma refrescancia do corpo e da alma.
Alguns raios iluminando o ceu e a reposta bradava com os trovoes.
E ela ficou a brincar. Algumas horas depois ouviu-se os grossos pingos desabando no teto.
Varias cabeças curiosas e extasiadas apareciam nas janelas.
Alguns desavisados correram pra se esconderem e desfrutarem deste prazer.
Crianças semi nuas em seu calçoes coloridos pulavam e brincavam nas enchurradas.
Risos, gritos.
O vizinho grita para o outro:
- O Ze, agora o quiabo vai crescer.
As mangas dançam e se lavam com a agua abençoada, que daqui a pouco dias vao colorir os pes em mistura de vermelhos, amarelos e laranjas.
Meu povo ta feliz, aliviado.
Nesta noite dormimos ouvindoo canto da chuva, a promessa do arroz crescendo na roça, a pamonha quente no prato.

25 setembro 2010

Um 'que ' de nostalgia insiste em tomar conta da minha alma.
Vai chegando, inundando.T
Tento fugir, mas nao consgo.
Velhas lembranças, sonhos enterrados, beijos saudosos.
Relembro o toque das suas maos, o seu cheiro inunda meu coraçao.
Tao longe estas.
Tao distante do meu mundo agora.

24 setembro 2010

Generosidade

Moro em um bairro extremamente carente. Nao temos por aqui esgoto ou sequer escoamento das aguas. E em pouco tempo, esperamos ferverosamente pelas chuvas para lavar inclusive nossas almas. Porem com estas chuvas veem tambem alagamentos. Mas...o que esperamos agora é que chova. Na verdade temos agua encanada, mas por causa da falta de chuva eles desligam o abastecimento todos os dias ao meio dia e so retorna la pelas vinte e tres. Um terror. Porque o calor, que chega em algumas vezes ate 39 graus deixa a todos irritados e muito, muito acolorados. A poeira, porque o bairro tem um leve asfaltos, mas os amados cidadaos nao terminam o passeio. Junta-se estes fatores aterrorizantes... Falta de chuva, que ocasiona seca, poeira e muito calor.
Muitas crianças tem estado sem aulas, porque a falta de agua atinge tambem as escolas. E ficam por ai, com suas pipas e pes no chao.
Mas, em meio a este caos, chegou em meu comercio a senhora, bem idosa, arrecadando alimentos para uma cesta. A vizinha dela, com cinco crianças, todas com menos de 8 anos, esta com uma doença terrivel, e nao pode trabalhar.
Nao perco a esperança. E quero escolher bem meu candidato para ver este povo sofrer um pouco menos. Quem sabe no proximo ano.

19 setembro 2010

SEM ÁGUA....

O caos se forma em minha cidade.
Agora estamos ha 110 dias sem chuva.
E os niveis dos rios baixou tanto que nao temos agua nas torneiras por tres dias. Imagine uma pessoa viciada por banhos e aguas. Como nao tenho tempo durante a semana, a manha de domingo se resume em lavaçao para mim e pra minha filha. Pra dificultas eu estava com minha mae e o meu padrastro de visitas. Tive que pedir a eles para voltarem hoje de manha. E ainda bem que estavam de carro, pois nao teve como tomar banho.
O sol esta tao quente, a poeira tomando conta de tudo. Fica alarmada e extremamente irritada.
Os politicos esquecem de resolver estes pequenos problemas. Todo ano praticamente passamos por este mesmo problema.

06 setembro 2010

vOCE...

Um frio na barriga...Um medo de continuar. Olhava continuamente para tras. Com os olhos procurava a resposta para a alma. Nao teria nova oportunidade, lhe dissera o homem, para retornar se decidisse realmente partir.
Estava louca pra sentir o sabor da liberdade, caminhar sozinha por caminhos que escolhesse que no primeiro instante nao hesitou...
Porem, a medida que alcançava a porta, um aperto no peito, as lagrimas quentes começaram a cair em sua face.
Ouviu a voz dele, suave lhe chamando, pedindo pra ficar.
O aconchego dos braços dele agora seria tao confortavel. Mas nao poderia sentir o doce sabor da aventura.
O cheiro daquele lugar. O lugar deles. Mas queria outros aromas.
A louca vontade de conhecer outras pessoas, outros lugares a deixava em completo frenesi.
E, com a alma divida, resolveu partir.

01 setembro 2010

O outro

Não quero mais ser o outro.
Dei um basta, joguei fora o que não me pertence.
Nao quero mais ser o outro
Quero ter meus próprios pensamentos
e fazer as minhas próprias escolhas.
Nao quero mais ser o outro.
Sorrir para aliviar o outro
Falar somente o que o outro quer ouvir.
Nao quero mais ser o outro.
Quero falar o que pensar, chorar quando a dor apertar.
Quero cantar a cançao que gosto, calar e ouvir o silencio.
Nao quero mais ser o outro.

22 agosto 2010

Não, nao, nao... Nao posso fazer o que querem.Porque o que quero é nada fazer. A vida ja me trouxe as amarguras e durezas. Navaguei meu rio, e cheguei ao meu mar. Vou devagar me direcionando ao meu oceano. Me deixe aqui. Me deixe só.

21 agosto 2010

Hoje...

Já há algum tempo as minhas ilusões se tornaram mais amenas. Não que nao tenha planos. Ao contrario. Deixei de lado as ilusoes e hoje tenho planos mais reais. A paixao que inundava a minha alma e me fazia viver hoje foi substituída por uma razão ilimitada. Ao contrario dos repentes da juventude hoje anda ao meu lado a consciencia da tranquilidade. Penso de forma totalmente diferente de anos atrás e as vezes me pego olhando para meus filhos e vendo o quanto o tempo ainda vai trabalhar na vida deles. Admiro a beleza da juventude, mas sou feliz no meu inicio de meia idade. Consegui deixar ao meu lado as pessoas que amo, as coisas que gosto.Hoje tenho mais manias, mas aprendi a respeitar opiniões.

13 agosto 2010

Movimento

O sol estava, preguiçosamente, abrindo os braços sobre a terra. Um sol avermelhado, morno, anunciando um dia ensolarado e quente.
Ela, na cama, também abriu os olhos e pensando em se esticar como uma gata moveu as pernas para fora da cama.
Levou um susto. Não sentia o chão gelado. Espantada, olhou para as pernas. Elas estavam ali, lindas, delgadas. Tentou movimenta-las porem nao sentia o proprio peso. Com as maos tentou
toca-las mas também os braços não a obedeciam. Sentiu um aperto na garganta,
um frio imenso no estômago, um medo terrível. Um gemido ecoou de sua garganta. Logo se transformou em gritos de desespero. Lágrimas saltavam de seus olhos. Tentava se movimentar,
porem nada acontecia. Foi tomada de um grande terror, e os olhos, na semi-claridade procurava alguma resposta. Mais ao longe, proximo da penteadeira notou a cadeira de rodas.
Meu Deus - o que esta acontecendo? O desespero tomava conta da sua alma. Não compreendia porque não conseguia se movimentar, que lugar este este onde estava.
Agora os gritos foram se tornando incessantes. Os olhos, e apenas eles, corriam de lado a lado no quarto desconhecido. O suor escorria pelo seu corpo, o esforço para se movimentar era imenso.
Poucos momentos depois, ouviu a porta do quarto se abrindo, e um rosto desconhecido adentrou.
Era uma mulher, jovem, de aparência calma. Perguntou-lhe com carinho se precisava de algo, e gentilmente a ajudou a se colocar na cadeira.
Ela não entendia o que estava acontecendo. Os olhos suplicantes pediam aquela desconhecida que lhe ajudasse, e mexia os lábios em
perguntas. A mulher apenas sorria em resposta. Então notou que ela não podia ouvi-la. Sua voz era somente fruto do seu pensamento. Nem ela mesma ouvia o seu som.
Estava em total desespero, e tentava se mexer, falar....
Então ao longe começou a ouvir o toque de uma buzina. O barulho foi se tornando mais e mais alto. Agora era insuportável. Um vento forte abriu a janela do quarto, e ela sentiu a rajada fria em seu rosto.
Então, abrindo os olhos, acordou do pesadelo.

09 agosto 2010

Vida Simples

Maria era uma mulher muito simples. Sempre o fora. Calada, tranquila, mansa de coração. Morava em uma casinha simples, na comunidade do Passo Largo. Nascera e crescera ao lado de pessoas simples. Muitos ali nem tinham registro de nascimento, mas ela fizera questão de registar os seus três filhos mesmo sem o nome do pai. Um dia, quando eles alçassem voo precisariam deste documento.
Nesta manha, quando o radio-relógio despertou marcando 5.30 da manha, ela se levantou, arranjou os cabelos crespos e desgrenhados em um rápido rabo-de-cavalo, e ainda sonolenta foi ate a cozinha colocar agua pra ferver. O fogão, velho e descorado, só tinha duas chamas funcionando. Voltou ate o quarto, trocou a camisola, e percebeu que o marido não havia voltado para casa nesta noite. Normalmente chegava nas madrugadas e se deitava no velho sofá, ou pelo chão mesmo.
«Desgraçado, bêbado sem vergonha. Não valia mais pira nada, e ainda não a deixava em paz.»
Lavou a boca, escovando os restos dos poucos dentes que sobravam na sua boca, e pensou que daqui a dois meses a teria uma dentadura que a permitisse um sorriso novo. Ficou pensando em todas as economias que estava fazendo nos últimos seis meses para realizar este grande sonho.
Foi ate a padaria do «Seu Onorio». Homem bom, integro, honesto. Viúvo, com 3 crianças pequenas preparava o melhor pão da comunidade. Trabalhava todos os dias, de domingo a domingo, e seu grande desejo era que Maria largasse o marido a toa e viesse viver com ele. Mas não tinha coragem de falar isto a ela. «Deus me livre», pensava e voltava ao trabalho.
Chegando em casa, acordou os filhos, arrumou o pão com manteiga (a patroa havia dado um pote pra eles, quase vencendo, mas quem se importa?).
Os bacurizinhos foram se levantando e vestindo o uniforme. Maria os apressava. Ja eram quase 6.30 e poderiam se atrasar.
Ouviu um barulho no portão, olhou pela janela. Era o marido, cambaleando sobre as próprias pernas. Certamente agora dormiria o dia todo, e quando elas e os meninos voltassem a noite nem o encontrariam. A jornada não era fácil pra ela, mas não costumava reclamar. O importante é que o trabalho de diarista estava dando pra manter os meninos na escola. Quando ouviram a voz do pai, o menorzinho começou a tremer. A mãe, alisando seus cabelos, prometeu que nada aconteceria.
Ele entrou, ja mexendo nas panelas, dando chutes no cachorro vira-latas que viera abanado o rado, numa silenciosa lealdade e alegria. O menininho agora chorava, e o irmão do meio, tímido pediu ao pai que parasse. «Cala a boca, filho da mãe, senso chuto é você.» O mais velho, revoltado o mandou sumir. A mãe, tentando apaziguar, adiantava os meninos. Rapidamente engoliram o pao com o chá-mate e ficaram pronto pro dia na escola. Na porta da cozinha Maria ainda passa a ultima olhada nos filhos. Alisa o cabelo do mais velho, abotoa a camisa do outro, amarra do cadarço do menor. Silenciosamente abençoa as crianças e pede a proteção Divina para eles.
Ao saírem, os olhos da mãe os acompanho por alguns minutos, mas tem muito o que fazer. Ao voltar pra casa, o marido continua a sessão de palavrões e quebradeiras. Ela procura ignora-lo, pois de não adiantaria reclamar. Seria muito pior. Com certeza só começaria uma sessão de tapas, socos e chutes. E prometera nunca mais levar um nico empurrão. Mas o marido, homem ignorante na estava acostumado a ser desprezado. E vou provocando-a com todo tipo de palavrões. Ela se vestia rapidamente, pois ja estava se atrasando para o próximo ónibus.
O homem, vendo que com isto não estava conseguindo nada, puxou a pelo braço, jogou a na cama, e começou a arrancar suas roupas. Ela, rezando baixinho, pediu a Deus que pelo menos fosse parido. Mas a bebida havia derrotado e ele não conseguia ter uma ereção. Era apenas o ódio que crescia dentro dele. E em meio a murros e tapas, ele cada vez mais foi ficando irado. O rosto dela ja estava desfigurado, e agora ela tentava se proteger com os braços, se enrolando no próprio corpo. Isto o instigava a bater mais. Pedia socorro, pelo amor de Deus. Os vizinhos, mesmo ouvindo não iriam fazer nada. Ja era comum isto. o marido continuou a bater e bater. Ela ouvia o som dos próprios ossos sendo quebrados, mais um dente arrancado. Os olhos, cheios de sangue, agora nem o enxergavam direito. A voz, era fraca. Ele não se cansava. Levanta sua vadia, vem lutar comigo. Você ano é a perfeita, não é a boa? E tome murros, chutes, tapas. A inconciencia tomou conta dela. Era um monte de carne e sangue jogado no chão.Nao iria trabalhar hoje, e amanha os meninos não teriam o pão. O homem, cansado da luta, se deitou e dormiu.