18 junho 2010

Resignação

Era final de tarde de um sábado alegre e ensolarado. Entrou na sala. Ele estava assistindo ao final do campeonato de futebol, com uma cerveja ao lado. Levantou os olhos pra ela e sorriu. Ela se sentou ao seu lado, no novo sofá preto, recém adquirido na loja do genro. Ele a abraçou e puxou para si. Era sempre assim. Sempre estiveram juntos e unidos.
Estava ali para explicar-lhe que não poderia mais aguentar a situação que estava vivendo. Sabia, há alguns meses, de todos os comentários que circulavam pelo bairro, onde moravam há mais de 25 anos.
Mas, agora ali, abraçada a ele, começou a se lembrar de toda uma vida juntos. Lembrava-se de toda a juventude, o amor, a saúde e o respeito dedicados a ele. Se lembrou do primeiro beijo roubado na volta da escola, das mãos entrelaçadas, das promessas feitas. Lembrou-se também quando o namoro foi ficando mais ousado, dos beijos quentes e cheios de desejo, em toda a volúpia da juventude. Se lembrou com tanto carinho quando ele, um belo rapaz, se dirigiu ao seu pai e solenemente pediu a sua mão em casamento.
E o dia do casamento, então? A realização de um sonho. Ela, com o vestido branco, percorrendo ao lado do pai os poucos metros que a separavam da alegria completa. Se lembrava da mãe chorando, emocionada, as amigas com um quê de inveja no olhar. E logo ali, parado a sua frente, ele. O seu Principe Encantado, lindo, garboso, perfeito.
A noite de núpcias foi uma surpresa. O pouco que havia aprendido em revistas e conversas com as amigas foi tentado colocar em pratica, mas sem muito resultado. Mas o carinho e a paixao superaram a inexperiência. E mesmo hoje, depois de tantos anos, sentia um certo comichão quando ele a tomava nos braços e faziam amor.
Se mudaram para uma casinha pequena, no final da vila, onde nasceram e cresceram os cinco filhos. Dois deles ainda permaneciam em casa, e como eram bons os filhos. Todos honestos e sem vícios, pois não tiveram mal exemplo dentro do lar.
Olhou em volta. A casa agora era confortável, grande, arejada. O carro na garagem, os moveis. Sim, haviam superado as dificuldades, criado os filhos, começavam a envelhecerem juntos. Agora ela já podia frequentar o salão da manicure pelo menos duas vezes ao mês. E foi justamente lá, alguns minutos antes que ouvira tudo.
As 'amigas', com uma certa maldade na voz, haviam relatado todo o caso a ela. O marido, em todas as manhãs e tardes carregava a moça ao trabalho e de volta pra casa. Foram vistos algumas vezes também no supermercado, acougue, e até na loja nova de sapatos. E também ficou sabendo, quando ela foi em um pequena viagem até a capital, ele havia ousado leva-la a frequentar o barzinho badalado na praça. Elas não a pouparam nem dos detalhes sordidos, como os beijos e caricias que foram visto trocando. Mas, para parecer que estavam ao seu lado, elas acrescentaram que isto deve ser só um casinho, que ela é jovem, bonita, porem vulgar, mas que ela deviria fazer alguma coisas, se fosse comigo botava ela e ele pra correrem, etc.
Sentiu uma dor forte no peito. A humilhação a cegava. A boca estava seca, o coração disparado. E agora, fazer o que?
Se levantou e dirigiu-se pra casa, caminhando lentamente.
E agora, estava ali, sentada ao seu lado, sentindo seu abraço, o calor que emanava do seu corpo.
As palavras não queriam sair de sua boca. As lágrimas , enxugadas rapidamente, teimavam em cair dos seus olhos,
Resolveu não falar nada e aceitar a muda condição de dividi-lo, porém nao perdê-lo completamente.
Se achegou mais a ele. E quieta ficou.

2 comentários:

Ana Carolina disse...

*-----------------*

Calabria disse...

É Minha Anjo Nao se faz Homens como antigamente né,romanticos,que levam flores para esposas e sim levam problemas para elas.E Lembre-se a voz do povo nao é a voz de Deus como dizem senao ,nao comentariam tais absurdos para a esposa ,simply deixariam que ela descobrisse por si só .Triste mas ainda acontece muito disto na Linda palavra chamada FAMÍLIA que dia após dia está mais rara,uma pena.Bjs

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